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Vasectomia sem medo: 9 mitos que atrapalham sua decisão

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 11 de jan.
  • 5 min de leitura

O que muda na testosterona, na ereção e na ejaculação? E a reversão funciona?





A vasectomia é um dos métodos mais seguros e eficazes de contracepção masculina definitiva. Ainda assim, muitos homens adiam a decisão por medo de “perder masculinidade”, sofrer na vida sexual ou ter consequências graves no futuro.

A boa notícia é que a maior parte dessas preocupações vem de mitos — e a literatura médica é bem consistente em esclarecer o que realmente acontece após a cirurgia.


✅ Mito 1: “Vai cair testosterona.”


Por que é falso: a vasectomia não mexe com a produção de testosterona.O procedimento apenas interrompe a passagem dos espermatozoides (corta/oclude o ducto deferente). Já a testosterona é produzida nos testículos e liberada no sangue — um caminho completamente diferente do canal por onde passam os espermatozoides.

Em outras palavras: a vasectomia não “desliga” os testículos. Eles continuam funcionando normalmente, inclusive na produção hormonal.

O que a evidência mostra: diretrizes e revisões de urologia descrevem a vasectomia como um procedimento que não altera níveis hormonais nem características sexuais masculinas.

Mito 2: “Vai piorar ereção.”


Por que é falso: a ereção depende principalmente de fluxo sanguíneo, nervos e hormônios. A vasectomia é uma cirurgia localizada, feita nos canais deferentes, e não interfere em vasos/estruturas responsáveis pela ereção.

Além disso, muitas vezes ocorre o contrário do medo: alguns homens relatam melhora da vida sexual por redução da ansiedade com gravidez não planejada — embora isso seja um efeito indireto (psicológico/relacional), não “mecânico”.

O que a evidência mostra: as principais diretrizes (urológicas) não associam vasectomia a disfunção erétil; quando há queixa, costuma estar ligada a outros fatores (estresse, saúde vascular, sono, álcool, medicamentos, etc.).

✅ Mito 3: “Vai ‘mudar a ejaculação’ de forma perceptível.”


Por que é falso: após a vasectomia, o homem continua ejaculando normalmente. A maior parte do volume do sêmen vem da próstata e das vesículas seminais. Os espermatozoides representam uma fração pequena do ejaculado. Estima-se uma diminuição de 5 a 10 % do volume total do ejaculado.

Ou seja, em geral, não há mudança perceptível no volume, no aspecto ou na sensação do orgasmo. O que muda é que, com o tempo, o sêmen passa a não conter espermatozoides.

O que a evidência mostra: descrições anatômicas e clínicas do procedimento explicam que as glândulas responsáveis pelo volume seminal não são operadas na vasectomia.

✅ Mito 4: “É garantida a reversão da Vasectomia.”


Por que é falso (com nuance importante):  primeiramente, existe, sim, a reversão da vasectomia (vasovasostomia/vasoepididimostomia), porém não é simples, não é barata, e depende de técnica microcirúrgica e, principalmente, não garante fertilidade restaurada. ( ponto muito importante)

A reversão pode até reabrir o caminho, mas a chance de gravidez depende de vários fatores, como:

  1. Tempo desde a vasectomia (quanto mais tempo, em geral mais difícil).

  2. Qualidade do sêmen após reversão.

  3. Idade e fertilidade da parceira.

  4. Técnica cirúrgica e experiência do cirurgião.

Por isso, a vasectomia deve ser encarada como método definitivo. Se existe dúvida real sobre querer filhos no futuro, vale discutir alternativas (ex.: métodos reversíveis, ou até criopreservação de sêmen em situações específicas).

O que a evidência mostra: diretrizes urológicas reconhecem a reversão como possível, porém destacam que ela não é garantia de retorno da fertilidade.

✅ Mito 5: “É imediata (já sai estéril).”


Por que é falso: após a cirurgia, ainda podem existir espermatozoides “armazenados” no trajeto acima do corte.Por isso, não é seguro e muito menos recomendado assumir esterilidade imediata.

O correto é manter outro método contraceptivo até confirmar a ausência de espermatozoides com um exame chamado espermatograma pós-vasectomia.

Na prática, a confirmação costuma ser feita semanas após o procedimento, geralmente após 90 dias ou pelo menos 30 ejaculações. Após esse período, 80% dos homens já apresentam azoospermia ( ausência de espermatozóides no ejaculado) no espermograma de controle.

O que a evidência mostra: recomendações internacionais de urologia reforçam a necessidade de confirmação laboratorial antes de liberar a suspensão de outros métodos.

✅ Mito 6: “Dói muito.”


Por que é falso: a vasectomia é, em geral, um procedimento de pequeno porte, feito com anestesia local (e, em alguns casos, sedação).Durante a cirurgia, o esperado é sentir pressão/manipulação, e não dor intensa.

No pós-operatório, é comum haver desconforto leve a moderado, controlável com medidas simples:

  • repouso relativo

  • gelo local nas primeiras 24–48h (conforme orientação)

  • analgésicos prescritos

  • uso de suporte escrotal (quando indicado)

Existe uma minoria de pacientes que pode ter dor persistente (síndrome dolorosa pós-vasectomia), mas isso é incomum e deve ser acompanhado.

O que a evidência mostra: revisões e consensos descrevem a vasectomia como procedimento com boa tolerabilidade e dor geralmente controlável, com baixa taxa de complicações importantes.

✅ Mito 7: “Fica incapaz muitos dias.”


Por que é falso: a maioria dos homens retorna às atividades leves em pouco tempo, geralmente após 72 horas do procedimento. O que costuma ser necessário é ajustar a rotina por alguns dias e respeitar restrições temporárias — principalmente para reduzir risco de dor, hematoma e desconforto.

Em geral, as orientações incluem:

  • evitar esforço físico, academia e levantar peso por um período curto (frequentemente cerca de 1 semana, variando caso a caso)

  • evitar impacto e esportes intensos por um tempo determinado pelo médico

  • retorno gradual conforme sintomas

O que a evidência mostra: protocolos pós-operatórios em urologia orientam retorno precoce às atividades usuais, com restrição temporária de esforço.

✅ Mito 8: “Aumenta risco de câncer.”


Por que é falso: a relação entre vasectomia e câncer (principalmente câncer de próstata) já foi muito estudada. O conjunto das evidências mais robustas — especialmente grandes estudos observacionais e revisões — não sustenta uma associação causal clinicamente relevante que justifique evitar o procedimento por esse motivo.

Em saúde, é importante diferenciar:

  • associação estatística em alguns estudos (que pode ocorrer por vieses, como maior rastreio em certos grupos)

    vs.

  • causa comprovada (o que não foi estabelecido de forma consistente).

O que a evidência mostra: diretrizes urológicas e revisões amplas não contraindicam vasectomia por risco de câncer; não há comprovação de que a vasectomia “cause” câncer.

✅ Mito 9: “É ‘castração’.”


Por que é falso: vasectomia não é castração. Castração e Vasectomia são coisas diferentes. Na castração (orquiectomia ou bloqueio hormonal), há redução importante de testosterona porque se remove ou inibe a função testicular. Isso pode levar a perda de libido, alterações de massa muscular, energia e outras mudanças sistêmicas.

Na vasectomia, os testículos permanecem no lugar e continuam:

  • produzindo testosterona

  • mantendo libido (desejo sexual)

  • mantendo ereção

  • produzindo espermatozoides (que são reabsorvidos pelo organismo)

O que muda é apenas o caminho para o espermatozoide sair junto com o ejaculado.


Informação é o caminho


A vasectomia é um procedimento seguro, com recuperação geralmente rápida, e não “tira ou diminui a testosterona”, não “acaba com a ereção” e não é castração. O ponto mais importante — e que muita gente ignora — é que não é imediata: precisa de confirmação por espermatograma antes de abandonar outros métodos.

Se você está considerando a vasectomia como método de planejamento familiar, o melhor próximo passo é uma consulta para avaliar seu caso, alinhar expectativas e receber orientações claras de pré e pós-operatório.


Na Clivatti Urologia realizamos a vasectomia em centro cirúrgico anexo ao consultório, para maior comodidade e segurança do paciente. O procedimento é realizado em caráter ambulatorial, sem a necessidade de internação, podendo ser realizado com anestesia local ou com sedação conforme a preferência do paciente. Contamos com uma equipe treinada, pronta para receber e auxiliar você nesta etapa do planejamento familiar.


att, Dr. Guilherme Clivatti

Urologista - Tisbu

CRM/SC 18354

 
 
 

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