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Disfunção erétil que não melhora com medicação — há alguma alternativa?

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 16 de jan.
  • 5 min de leitura

A disfunção erétil (DE) é a dificuldade persistente de conseguir ou manter uma ereção suficiente para uma relação sexual satisfatória. Ela é mais comum do que muitos imaginam e pode acontecer em diferentes fases da vida — por fatores vasculares, hormonais, neurológicos, emocionais, uso de medicações, hábitos de vida e até pela combinação de vários desses elementos.

Quando o paciente começa o tratamento da disfunção erétil com comprimidos (a chamada primeira linha) e não percebe melhora, é natural sentir frustração, insegurança e até medo de que “não exista solução”. Mas aqui vai um ponto essencial: falhar com a medicação oral não significa que você ficou sem opções. Na prática, isso só indica que precisamos entender melhor a causa e escolher a linha de tratamento mais adequada para o seu caso.

O objetivo deste artigo é exatamente esse: mostrar, de forma clara e tranquila, quais são as alternativas para disfunção erétil quando a primeira linha de tratamento não funciona.



🔵 Linhas de tratamento para disfunção erétil: o que fazer quando a primeira falha?


Na urologia, costuma-se organizar o tratamento disfunção erétil em linhas, indo do menos invasivo ao mais invasivo. Isso não significa “escada obrigatória” para todo mundo, e sim um jeito inteligente de personalizar o plano.



Primeira linha: medicações orais (IPDE-5)


Os medicamentos mais conhecidos para disfunção erétil são os inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (IPDE-5), como:

  • Sildenafil

  • Tadalafil

  • Vardenafil

De forma simples, eles ajudam o organismo a manter o fluxo de sangue no pênis durante a excitação sexual. Um detalhe importante: essas medicações não “criam desejo” e não agem sozinhas — é necessário estímulo sexual para funcionar.

Por que não funcionam para todos? As causas mais comuns incluem:

  • Doença vascular mais severa (ex.: aterosclerose avançada, diabetes de longa data)

  • Lesões neurológicas (ex.: algumas situações pós-cirurgia pélvica, lesões medulares, neuropatia diabética importante)

  • Uso incorreto (dose inadequada, timing errado, tentativa com expectativa de efeito “automático”)

  • Interações medicamentosas e condições clínicas específicas

  • Contraindicações, especialmente uso de nitratos (medicações para angina), onde PDE-5 pode ser perigoso

Em muitos casos, o remédio “não funcionou” porque o problema não é falta de remédio — é falta de ajuste e investigação correta.



Segunda linha: terapias eficazes sem cirurgia (com foco no medicamento intracavernoso)


Quando a primeira linha falha, entram opções mais diretas e potentes. A mais importante, com excelentes resultados quando bem indicada, é a injeção intracavernosa (o famoso “injetável peniano”).


O que é o medicamento intracavernoso e como ele funciona?


O pênis possui estruturas chamadas corpos cavernosos, que funcionam como “esponjas”: quando o sangue entra e fica represado ali, ocorre a ereção.

O medicamento intracavernoso é aplicado com uma agulha bem fina diretamente no corpo cavernoso, promovendo uma ereção por ação local, com mecanismo vasodilatador e relaxamento do músculo liso (dependendo da fórmula). Em termos práticos: ele não depende do caminho oral, não depende tanto do metabolismo e costuma funcionar mesmo quando o fluxo está prejudicado a ponto de os comprimidos não darem resultado.


Quais substâncias podem ser usadas?


As principais opções (variando conforme disponibilidade, prescrição e manipulação) incluem:

  • Alprostadil (PGE1): medicação clássica, com ação direta vasodilatadora. Em alguns locais, aparece com nomes comerciais como Caverject.

  • Bimix: geralmente combinação de papaverina + fentolamina (fórmula manipulada em muitos contextos).

  • Trimix: costuma combinar papaverina + fentolamina + alprostadil, buscando maior potência (também frequentemente manipulada).


⚠️ Importante: as fórmulas e concentrações precisam ser individualizadas. Não existe “dose padrão segura” sem avaliação, porque cada organismo responde de um jeito.


Como é feita a aplicação (técnica)


A aplicação é feita com agulha muito fina, em pontos específicos da lateral do pênis, evitando vasos e a uretra. Em consultório, o urologista normalmente:

  • Ensina onde aplicar

  • Orienta como preparar a dose

  • Define dose inicial segura

  • Acompanha a resposta

  • Explica o que é “normal” e o que é sinal de alerta

No começo, é comum haver ansiedade, mas a maioria dos pacientes relata que, após aprender corretamente, a técnica se torna simples e previsível.


Vantagens do medicamento intracavernoso


  • Alta taxa de sucesso, inclusive em casos em que o comprimido falhou

  • Ação direta e mais previsível

  • Pode ajudar também como teste diagnóstico (inclusive no Doppler)

  • Pode ser uma alternativa excelente para recuperar a confiança e a vida sexual


Desvantagens e precauções (sem terror, com responsabilidade)


Como todo tratamento eficaz, exige orientação. Os principais pontos são:

  • Priapismo: ereção prolongada (geralmente definida clinicamente quando persiste por tempo excessivo e/ou com dor). É um evento raro quando bem orientado, mas precisa ser prevenido com dose correta e o paciente deve saber o que fazer se acontecer.

  • Dor: pode ocorrer, especialmente com algumas formulações, e costuma ser manejável.

  • Fibrose/nódulos: risco reduzido quando há técnica adequada, alternância de lados e acompanhamento.

  • Curva de aprendizado: os primeiros usos exigem mais atenção.

  • Barreira emocional: “injeção no pênis” assusta — mas com educação e prática, muitos pacientes superam rapidamente.


Eficácia: como se compara à primeira linha?


Em termos práticos, quando bem indicada, a medicação intracavernosa costuma ter maior eficácia do que a primeira linha em casos difíceis (diabetes avançado, pós-prostatectomia, insuficiência vascular importante, entre outros). A diferença é que ela exige treinamento, acompanhamento e responsabilidade, enquanto o comprimido é mais simples de usar.


Outras opções de segunda linha: bomba de vácuo


A bomba de vácuo cria uma pressão negativa que “puxa” sangue para o pênis, e um anel pode ajudar a manter a ereção.

Ela pode funcionar, mas tem limitações:

  • Algumas pessoas acham pouco espontâneo

  • Pode causar desconforto e sensação de “ereção diferente”

  • Depende de adaptação do casal

Mesmo assim, pode ser uma alternativa válida em casos selecionados.


Terceira linha: cirurgia (prótese peniana)


Quando a disfunção erétil é refratária (não responde) às opções clínicas, a solução mais definitiva é a prótese peniana. Existem:

  • Próteses maleáveis (semirrígidas): mais simples, boa durabilidade.

  • Próteses infláveis: maior naturalidade estética e funcional, com mecanismo hidráulico interno.

Para muitos pacientes, especialmente quando já tentaram várias abordagens, a prótese representa retomar a previsibilidade e a qualidade de vida.



🔵 O papel do USG Doppler de pênis com prova de ereção


O USG Doppler de pênis é um exame que usa ultrassom para avaliar como o sangue entra e sai do pênis, ajudando a identificar se a disfunção erétil é predominantemente vascular, mista ou se há indícios que sugerem outras origens.


O que é a “prova de ereção”?


Durante o exame, realiza-se uma indução controlada de ereção com medicação intracavernosa, justamente para observar em tempo real:

  • Resposta arterial (entrada de sangue)

  • Mecanismo veno-oclusivo (capacidade de “segurar” o sangue e manter rigidez)

  • Qualidade e sustentação da ereção durante a avaliação


Por que esse exame é tão importante?


Porque ele muda o jogo: em vez de tratar “no escuro”, você trata com direção.

  • Se o exame sugere um quadro vascular mais importante, pode fazer mais sentido avançar para medicamento intracavernoso (segunda linha) ou discutir prótese peniana em casos mais graves.

  • Se o padrão sugere que há múltiplos fatores (ex.: vascular + emocional, ou vascular + metabólico), o plano pode combinar tratamento específico com correções de base.

  • Se há suspeita de componente neurológico ou outros fatores associados, o urologista pode orientar investigação complementar e alinhar expectativas do melhor método.

Além disso, a própria prova com injeção, quando bem conduzida, muitas vezes ajuda o paciente a entender que “o pênis responde” — e isso tem impacto real na confiança e na adesão ao tratamento.



🔵 Conclusão: ainda há caminhos — e muitos são altamente eficazes


Se a medicação oral não trouxe resultado, respire: isso não é o fim das opções.

Muitas vezes é apenas o sinal de que precisamos de uma avaliação mais completa, entender a causa e escolher a estratégia certa.


O mais importante é não ficar preso à ideia de que “comprimido é a única saída”.

Existem alternativas para disfunção erétil com excelentes resultados, especialmente as opções de segunda linha, como o medicamento intracavernoso, quando bem indicado e acompanhado. E quando necessário, a prótese peniana pode oferecer uma solução definitiva e previsível.

Na Clivatti Urologia, a abordagem é centrada em diagnóstico preciso, conversa franca e um plano que faça sentido para você e para o seu momento de vida.


att, Dr. Guilherme Moreira Clivatti

Urologista - Tisbu

CRM/SC 18354

 
 
 

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