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Meu pênis começou a entortar, e agora? Entenda sobre a Doença de Peyronie

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

Como urologista me deparo frequentemente com pacientes preocupados com mudanças inesperadas na forma do pênis. Uma das condições que mais gera ansiedade é a Doença de Peyronie, também conhecida como tortuosidade peniana adquirida. Neste artigo, vamos explorar essa condição de forma clara e baseada em evidências médicas confiáveis, para que você entenda o que está acontecendo e quais são as opções disponíveis para tratamento. Lembre-se: este texto é informativo, mas não substitui uma consulta médica personalizada. Se você suspeita dessa condição, procure um especialista em urologia para avaliação adequada.



Introdução


A Doença de Peyronie é uma condição adquirida que afeta homens adultos, caracterizada pela formação de uma placa fibrótica (tecido cicatricial endurecido) na túnica albugínea do pênis, levando a uma curvatura anormal durante a ereção. Essa deformidade pode causar dor, dificuldade para manter relações sexuais e impacto emocional significativo, como ansiedade e depressão. Embora não seja uma doença que acarrete risco de morte, ela pode afetar a qualidade de vida de forma profunda. Estudos mostram que cerca de 1 a 23% dos homens podem desenvolver essa condição, com maior incidência entre os 40 e 60 anos. O diagnóstico precoce é fundamental para controlar os sintomas e prevenir progressão, e o tratamento varia conforme a fase da doença.



O Que é Tortuosidade Peniana Adquirida (Doença de Peyronie)?


A Doença de Peyronie, nomeada em homenagem ao médico francês François de la Peyronie que a descreveu no século XVIII, é uma fibrose localizada no pênis que resulta em uma curvatura persistente, geralmente para cima, para os lados ou para baixo. Essa deformidade ocorre apenas durante a ereção, pois o tecido cicatricial não se expande como o resto do pênis. Além da curvatura, pacientes podem apresentar outras deformidades, como o encurtamento peniano e, em alguns casos, a disfunção erétil. A condição é adquirida, ou seja, não congênita, e surge após um trauma ou lesão repetitiva. Segundo literatura médica, como revisões em periódicos como o Journal of Urology, a placa fibrótica é composta principalmente de colágeno tipo I e III, resultando em um tecido rígido que impede a expansão uniforme do pênis.



Fatores de Risco


Vários fatores podem aumentar o risco de desenvolver a Doença de Peyronie. O principal é o trauma peniano, especialmente microtraumas repetitivos durante relações sexuais ou atividades físicas, que lesionam a túnica albugínea. Predisposição genética também desempenha um papel, com estudos indicando que homens com parentes afetados têm maior susceptibilidade. Doenças vasculares sistêmicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemia, estão associadas devido à má circulação sanguínea, que prejudica a cicatrização. Outros fatores incluem disfunção erétil prévia, idade avançada (acima de 40 anos), tabagismo, consumo excessivo de álcool, procedimentos urológicos invasivos e doenças autoimunes, como escleroderma. Pesquisas publicadas em revistas como Urology mostram que esses fatores contribuem para uma resposta inflamatória anormal, facilitando a formação da placa.



Fisiopatologia


A fisiopatologia da Doença de Peyronie envolve uma resposta anormal do corpo a uma lesão na túnica albugínea, a camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos do pênis. Após um trauma, ocorre uma lesão vascular seguida de inflamação, ativação de fibroblastos e deposição excessiva de colágeno, formando a placa fibrótica. Há um desequilíbrio entre metaloproteinases da matriz (enzimas que degradam tecido) e seus inibidores, levando à fibrose. Estudos pré-clínicos, como aqueles publicados no International Journal of Impotence Research, sugerem que essa cascata molecular transforma uma lesão temporária em uma deformidade permanente, afetando a elasticidade do pênis e, consequentemente, a ereção.



Fases da Doença


A Doença de Peyronie evolui em duas fases principais: aguda e crônica. A fase aguda, também chamada inflamatória, dura geralmente de 6 a 18 meses e é caracterizada por dor peniana durante a ereção, instabilidade da curvatura (que pode piorar) e progressão da placa. É nessa fase que a inflamação e a formação da placa são mais ativas. Já a fase crônica ocorre quando a doença se estabiliza, com ausência de dor significativa e curvatura fixa. Nessa etapa, o foco é na deformidade persistente, que pode impedir relações sexuais. A transição entre fases varia por indivíduo, mas é crucial identificar a fase para escolher o tratamento adequado, conforme orientações da American Urological Association (AUA). O entendimento do paciente sobre as fases de evolução do Peyronie e do caráter temporário da dor peniana, ajuda na compreensão do tratamento e na diminuição da angústia causada pela doença.



Terapias Medicamentosas e Intra-lesionais


O tratamento não cirúrgico visa controlar sintomas e prevenir progressão, especialmente na fase aguda. Medicamentos orais como vitamina E, colchicina e potassium para-aminobenzoate (POTABA) têm evidências limitadas: a vitamina E não mostrou benefício convincente em ensaios clínicos para reduzir dor, curvatura ou tamanho da placa; a colchicina é controversa para dor aguda, sem superioridade sobre placebo; e o POTABA pode ajudar a estabilizar a curvatura em estágios iniciais, mas causa efeitos gastrointestinais e é pouco recomendado como primeira linha. Terapias intra-lesionais (injeções diretamente na placa) são mais promissoras: ácido hialurônico, verapamila, interferon e corticosteroides ajudam a reduzir inflamação e fibrose, com evidências de baixa qualidade, mas úteis para sintomas leves. O colagenase clostridium histolyticum (CCH), aprovado pela FDA para placas palpáveis e curvatura significativa, é eficaz na fase crônica para reduzir deformidade. Terapias mecânicas, como tração peniana e dispositivos de vácuo, também são empregadas para melhorar elasticidade. Sempre sob supervisão médica, pois a eficácia varia e efeitos colaterais podem ocorrer.



Tratamento Cirúrgico


A cirurgia é indicada exclusivamente na fase crônica, quando a doença está estável por pelo menos 3-6 meses (geralmente após 12 meses do início dos sintomas), e há deformidade que impede relações sexuais, curvatura significativa ou falha de tratamentos conservadores. Técnicas incluem plicatura tunical (encurtamento do lado oposto à curvatura para endireitar o pênis), incisão ou excisão da placa com enxerto (para curvaturas complexas) e implante de prótese peniana (para casos com disfunção erétil associada). A escolha depende da gravidade: plicatura para curvaturas menores, enxerto para maiores. Resultados esperados incluem correção da deformidade em 80-90% dos casos, mas riscos incluem perda de sensibilidade ou ereção insuficiente. Avaliação pré-operatória e aconselhamento são essenciais, e a cirurgia não é recomendada na fase aguda devido ao risco de piora.




Considerações Finais


A Doença de Peyronie é uma condição tratável, mas requer acompanhamento médico especializado para diagnóstico preciso e plano terapêutico personalizado. Não ignore sintomas como curvatura ou dor – quanto antes procurar ajuda, melhores as chances de controle. Como urologista, enfatizo que cada caso é único, e o tratamento visa não apenas corrigir a deformidade, mas também restaurar a confiança e a qualidade de vida. Se você está enfrentando isso, agende uma consulta na Clivatti Urologia para avaliação completa. Juntos, podemos encontrar a melhor abordagem para o seu caso. Cuide da sua saúde com responsabilidade!


att, Dr. Guilherme Clivatti

Urologista- Tisbu

CRM/SC 18354

 
 
 

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