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Prostatectomia Radical Robótica: como funciona a cirurgia robótica da próstata no tratamento do câncer de próstata

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 11 de mar.
  • 8 min de leitura

O câncer de próstata é um dos tumores mais comuns em homens e, quando diagnosticado precocemente, costuma ter altas chances de controle e cura. Felizmente, hoje existem opções de tratamento cada vez mais precisas e seguras, escolhidas de acordo com o estágio do tumor, a agressividade da doença e o perfil de cada paciente.

Entre essas opções, a prostatectomia radical robótica (ou cirurgia robótica da próstata) se consolidou como uma alternativa moderna para o tratamento do câncer de próstata, com o objetivo de remover completamente a próstata e, ao mesmo tempo, preservar ao máximo estruturas importantes para a continência urinária e a função sexual. Na Clivatti Urologia, esse tipo de abordagem faz parte de uma linha de cuidado que prioriza tecnologia, segurança e acompanhamento próximo em todas as etapas.


Ilustração de um Da Vinci X
Ilustração: Robô Da Vinci X


O que é a Prostatectomia Radical Robótica?


A prostatectomia radical é a cirurgia que remove:

  • toda a próstata;

  • as vesículas seminais (glândulas próximas à próstata);

  • e, em alguns casos, também linfonodos pélvicos (gânglios linfáticos), quando há indicação oncológica.

Quando essa cirurgia é feita por via robótica, chamamos de prostatectomia radical robótica. Isso não significa que “o robô opera sozinho”. Na prática:

  • o cirurgião controla o sistema robótico o tempo todo;

  • os instrumentos são acoplados a braços robóticos extremamente estáveis;

  • e a cirurgia é realizada por pequenas incisões (cirurgia minimamente invasiva).


Como o robô ajuda na cirurgia?


O sistema robótico oferece recursos que ampliam as capacidades do cirurgião, como:

  • visão em 3D com alto aumento (muitas vezes 10x), permitindo identificar detalhes anatômicos com mais clareza;

  • instrumentos articulados, que “imitam” (e em alguns aspectos superam) os movimentos do punho humano, facilitando suturas e dissecções delicadas;

  • filtragem de tremor e movimentos mais estáveis;

  • melhor ergonomia para o cirurgião, contribuindo para precisão ao longo de procedimentos mais longos.

Em termos simples: a cirurgia robótica permite trabalhar com mais controle em uma região muito delicada, onde passam estruturas relacionadas à urina, à ereção e ao controle do sangramento.



Indicações do procedimento


A prostatectomia robótica pode ser indicada principalmente para pacientes com câncer de próstata localizado (restrito à próstata) e, em alguns casos selecionados, para doença localmente avançada (quando o tumor se estende um pouco além da próstata, mas ainda pode ser tratado com intenção curativa).

Em geral, avaliamos:

  • Estadiamento: se o tumor está localizado, localmente avançado ou se há sinais de metástase.

  • Grau do tumor (Gleason/ISUP): indica a agressividade.

  • PSA e sua evolução.

  • Ressonância magnética multiparamétrica e, quando aplicável, exames complementares.

  • Idade biológica e saúde geral: controle de doenças como diabetes, hipertensão, condição cardiopulmonar, capacidade de reabilitação.

  • Expectativa de vida e objetivos do paciente (cura, qualidade de vida, prioridades).

Importante: a decisão entre cirurgia, radioterapia (com ou sem hormonioterapia) e vigilância ativa (em casos bem selecionados) deve ser feita em consulta, com explicação clara de riscos e benefícios para o seu caso.


Vantagens da cirurgia robótica vs. tratamento convencional


Quando comparamos a cirurgia robótica da próstata com técnicas abertas tradicionais e mesmo com algumas abordagens laparoscópicas convencionais, os principais potenciais benefícios (que podem variar conforme paciente e equipe) incluem:


1) Maior precisão cirúrgica

A articulação dos instrumentos robóticos e a visão 3D ampliada ajudam o cirurgião a:

  • dissecar planos com mais cuidado;

  • controlar vasos com precisão;

  • realizar suturas delicadas (por exemplo, a reconstrução da conexão entre bexiga e uretra).


2) Visão ampliada e tridimensional

A visão em 3D e com aumento facilita identificar estruturas finas, como:

  • vasos e pequenos ramos;

  • planos anatômicos próximos aos nervos responsáveis pela ereção (quando a preservação é oncologicamente segura).


3) Menor sangramento

Por ser minimamente invasiva e pela magnificação do campo, muitos pacientes têm menor perda sanguínea em comparação com a cirurgia aberta, com menor necessidade de transfusão (quando tudo corre dentro do esperado).


4) Incisões menores

As incisões são pequenas (portais), o que costuma resultar em:

  • menor trauma de parede abdominal;

  • melhor conforto estético;

  • potencialmente menos dor na ferida operatória.


5) Recuperação potencialmente mais rápida

Em muitos casos, há:

  • deambulação (levantar e andar) mais precoce;

  • retorno mais rápido às atividades leves;

  • menor tempo de internação (dependendo do protocolo e evolução).


Mesmo com essas vantagens, vale reforçar: o resultado final depende da indicação correta, da anatomia individual, do comportamento do tumor, do preparo e reabilitação, e da experiência da equipe.



Pós-operatório e recuperação: o que esperar


Logo após a prostatectomia radical robótica, é comum o paciente:

  • ficar em observação na recuperação anestésica e depois ir ao quarto;

  • iniciar movimentação e alimentação conforme liberação, mas geralmente recebe a primeira alimentação algumas horas após o procedimento.

  • manter uma sonda vesical (cateter) por alguns dias, em geral de 7-10 dias, essencial para cicatrização da uretra reconectada à bexiga.


Dor e desconforto

A maioria dos pacientes relata dor leve a moderada, geralmente bem controlada com analgésicos. Pode haver:

  • desconforto nas incisões;

  • sensação de gases e distensão abdominal nos primeiros dias (relacionada ao procedimento e ao gás usado durante a cirurgia minimamente invasiva).


Tempo de internação

Em muitos protocolos, a alta ocorre em 1 a 2 dias, se:

  • dor estiver controlada;

  • não houver febre;

  • exames e sinais vitais estiverem estáveis;

  • o paciente estiver andando e se alimentando.

O tempo pode variar conforme idade, comorbidades e intercorrências.



Principais complicações e riscos


Toda cirurgia tem riscos. Na prostatectomia radical, os pontos que mais preocupam os pacientes — e que merecem conversa aberta —independente da técnica cirurgia utilizada, sendo ela convencional, videolaparoscópica ou robótica, incluem:


1) Incontinência urinária

Após retirar a próstata, o sistema de continência precisa se adaptar. É comum haver perda urinária no início, principalmente ao esforço (tossir, rir, levantar). Em muitos casos, há melhora progressiva ao longo de semanas e meses, especialmente com:

  • fisioterapia do assoalho pélvico;

  • exercícios orientados (não apenas “fazer por conta”).

Alguns pacientes podem ter persistência de perdas e necessitar tratamentos específicos.


2) Disfunção erétil

A ereção depende de nervos e vasos muito próximos da próstata. Quando é seguro do ponto de vista oncológico, pode-se tentar a preservação dos feixes neurovasculares (a chamada “cirurgia com preservação de nervos”). Mesmo assim, pode haver:

  • redução temporária da ereção;

  • necessidade de reabilitação sexual;

  • e, em alguns casos, recuperação parcial.

A recuperação é muito individual e depende de fatores como ereções antes da cirurgia, idade, diabetes, tabagismo, grau do tumor e extensão da preservação possível.


3) Outros riscos possíveis

  • sangramento, infecção, trombose;

  • lesões de estruturas vizinhas (raras, mas possíveis);

  • estreitamento da anastomose (a cicatriz na junção bexiga–uretra), que pode causar jato fraco e exigir tratamento.

O ponto-chave é: complicações existem, mas há estratégias eficazes de prevenção e manejo, e o acompanhamento pós-operatório faz diferença.

A cirurgia Robótica diminuiu o risco dessas complicações quando comparamos com as demais técnicas cirúrgicas, mas não elimina o risco.



Acompanhamento pós-operatório: como é o seguimento


O seguimento após a cirurgia costuma incluir:

  • consultas de revisão (primeiros dias/semanas);

  • avaliação da retirada da sonda conforme protocolo;

  • análise do resultado anatomopatológico (o exame da próstata removida), que informa:

    • agressividade real do tumor,

    • margens cirúrgicas,

    • extensão local,

    • e necessidade (ou não) de tratamentos adicionais.


PSA após a cirurgia

O PSA é um dos pilares do acompanhamento. Após prostatectomia radical, espera-se PSA muito baixo/indetectável. O padrão de coleta (intervalos) é definido pelo urologista conforme risco e diretrizes.



Reabilitação da função sexual e urinária


Essa etapa é frequentemente subestimada, mas é onde o paciente “colhe” grande parte do ganho de qualidade de vida.


Continência urinária

  • Fisioterapia pélvica com profissional habilitado costuma acelerar e melhorar resultados.

  • Ajustes de comportamento (cafeína, horários, treino vesical quando indicado) podem ajudar.

  • Se houver persistência significativa, existem opções como medicações e, em casos selecionados, cirurgias corretivas.


Função erétil (reabilitação peniana)

A reabilitação pode envolver, conforme indicação médica:

  • inibidores de PDE5 (medicamentos orais usados para ereção);

  • dispositivos de vácuo;

  • injeções intracavernosas em casos selecionados;

  • orientação sexual e suporte do casal (parte importante do processo).

O objetivo é favorecer oxigenação e saúde do tecido peniano durante a fase de recuperação dos nervos (quando preservados), além de alinhar expectativas com realismo.



Conclusão


A prostatectomia radical robótica é uma abordagem moderna e consolidada no tratamento do câncer de próstata, combinando técnica minimamente invasiva com recursos tecnológicos que podem aumentar a precisão do procedimento e favorecer a recuperação — sempre lembrando que cada caso é único e deve ser avaliado com cuidado.

Se você recebeu o diagnóstico de câncer de próstata (ou está em investigação), o próximo passo é uma consulta com urologista para discutir: estadiamento, opções de tratamento, riscos, benefícios e plano de reabilitação. Na Clivatti Urologia, buscamos conduzir esse caminho com informação clara, decisão compartilhada e acompanhamento próximo em todas as fases.

O tratamento do câncer de próstata não fica limitado apenas ao tratamento cirúrgico. O seguimento pós operatório e a reabilitação pós cirúrgica são fundamentais.


att, Dr. Guilherme Clivatti

CRM/SC 18354

Urologista- Tisbu



Perguntas frequentes sobre prostatectomia radical robótica


1) A prostatectomia radical robótica é feita “pelo robô”?

Não. Na prostatectomia robótica, o robô é uma plataforma tecnológica controlada integralmente pelo cirurgião. Ou seja, quem opera é o urologista, e o robô serve para ampliar a precisão dos movimentos, a visão (3D) e o controle do procedimento.


2) Prostatectomia robótica e cirurgia robótica da próstata são a mesma coisa?

Na prática, sim. São formas diferentes de se referir ao mesmo conceito: a remoção da próstata (prostatectomia radical) por técnica minimamente invasiva com auxílio de uma plataforma robótica.


3) Para quais casos a prostatectomia radical robótica é mais indicada?

Em geral, para homens com câncer de próstata localizado e, em casos selecionados, localmente avançado, quando o objetivo é tratamento com intenção curativa. A indicação depende do PSA, biópsia (Gleason/ISUP), ressonância magnética, exames de estadiamento, idade biológica e saúde geral.


4) Quais são as vantagens da prostatectomia robótica em relação à cirurgia “convencional”?

Os benefícios potenciais incluem maior precisão, visão tridimensional ampliada, menor sangramento, incisões menores e recuperação potencialmente mais rápida. Ainda assim, os resultados variam conforme o caso e a experiência da equipe.


5) Quanto tempo dura a cirurgia robótica da próstata?

O tempo pode variar bastante conforme anatomia, complexidade do caso e necessidade (ou não) de linfadenectomia (retirada de linfonodos). Em geral, é um procedimento de algumas horas. O urologista consegue estimar melhor após avaliar seus exames.


6) Vou ficar com sonda depois da cirurgia? Por quanto tempo?

Sim, a sonda vesical serve para permitir a cicatrização adequada da junção entre a bexiga e a uretra. O tempo varia conforme protocolo e evolução, mas frequentemente fica por 7 a 10 dias. A retirada é programada e orientada pela equipe.


7) Quanto tempo de internação costuma ser necessário?

Muitos pacientes recebem alta em 1 a 2 dias, se estiverem bem, sem febre, com dor controlada, alimentando-se e andando. Em alguns casos, pode ser mais tempo, dependendo de condições clínicas e intercorrências.


8) A cirurgia robótica dói muito no pós-operatório?

A dor costuma ser leve a moderada e geralmente controlável com analgésicos. Pode haver desconforto nas incisões e sensação de gases/distensão nos primeiros dias. A orientação de mobilização precoce e medicações ajuda bastante.


9) Incontinência urinária é sempre permanente?

Não. Perdas urinárias podem acontecer no início e, em muitos pacientes, melhoram progressivamente ao longo de semanas a meses, especialmente com fisioterapia do assoalho pélvico. Uma minoria pode ter perda persistente e precisar de tratamentos adicionais.


10) Disfunção erétil após prostatectomia radical é inevitável?

Não é inevitável, mas é um risco real. A recuperação depende de fatores como função erétil antes da cirurgia, idade, doenças associadas (diabetes, tabagismo), características do tumor e a possibilidade de preservação dos nervos (quando isso é seguro do ponto de vista oncológico). Mesmo quando os nervos são preservados, pode haver uma fase de recuperação gradual.


11) O que é “preservação de nervos” e quem pode fazer?

É uma técnica em que o cirurgião tenta preservar os feixes neurovasculares próximos à próstata, importantes para a ereção. Ela é considerada quando não compromete o controle do câncer. Em tumores mais extensos ou agressivos, a prioridade pode ser a segurança oncológica.


12) Como é o acompanhamento depois da prostatectomia radical robótica?

Inclui consultas de revisão, avaliação do anatomopatológico (o “laudo da peça cirúrgica”) e monitoramento do PSA ao longo do tempo. O PSA costuma ser um marcador importante para acompanhar resposta ao tratamento e detectar precocemente necessidade de terapias complementares quando indicado.


13) Quando posso voltar ao trabalho e às atividades físicas?

Depende do tipo de trabalho e da sua recuperação. Atividades leves podem ser retomadas mais cedo, enquanto exercícios intensos e esforço abdominal normalmente exigem mais tempo. O ideal é seguir a orientação individualizada do seu urologista, para reduzir risco de complicações.


14) A prostatectomia robótica garante cura do câncer de próstata?

Não é adequado prometer garantia. A cirurgia tem intenção curativa em muitos casos, especialmente quando o câncer está localizado, mas o resultado depende de fatores do tumor (agressividade e extensão), margens cirúrgicas e resposta individual. O acompanhamento com PSA e o laudo anatomopatológico orientam o prognóstico e a necessidade (ou não) de tratamentos adicionais.


15) Onde entra a Clivatti Urologia nesse cuidado?

Na Clivatti Urologia, a proposta é unir urologia robótica, avaliação criteriosa dos exames e um plano estruturado de pós-operatório e reabilitação urinária e sexual, com acompanhamento próximo — porque a cirurgia é uma etapa importante, mas a recuperação e o seguimento fazem parte do resultado final.



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