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Meu pênis começou a entortar, e agora? Entenda sobre a Doença de Peyronie

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 27 de jan.
  • 5 min de leitura

Atualizado: 15 de fev.


Como urologista me deparo frequentemente com pacientes preocupados com mudanças inesperadas na forma do pênis. Uma das condições que mais gera ansiedade é a Doença de Peyronie, também conhecida como tortuosidade peniana adquirida. Neste artigo, vamos explorar essa condição de forma clara e baseada em evidências médicas confiáveis, para que você entenda o que está acontecendo e quais são as opções disponíveis para tratamento. Lembre-se: este texto é informativo, mas não substitui uma consulta médica personalizada. Se você suspeita dessa condição, procure um especialista em urologia para avaliação adequada.


Ilustração de um personagem em formato de banana, triste ao ver a sua imagem ao espelho

Introdução


A Doença de Peyronie é uma condição adquirida que afeta homens adultos, caracterizada pela formação de uma placa fibrótica (tecido cicatricial endurecido) na túnica albugínea do pênis, levando a uma curvatura anormal durante a ereção. Essa deformidade pode causar dor, dificuldade para manter relações sexuais e impacto emocional significativo, como ansiedade e depressão. Embora não seja uma doença que acarrete risco de morte, ela pode afetar a qualidade de vida de forma profunda. Estudos mostram que cerca de 1 a 23% dos homens podem desenvolver essa condição, com maior incidência entre os 40 e 60 anos. O diagnóstico precoce é fundamental para controlar os sintomas e prevenir progressão, e o tratamento varia conforme a fase da doença.



O Que é Tortuosidade Peniana Adquirida (Doença de Peyronie)?


A Doença de Peyronie, nomeada em homenagem ao médico francês François de la Peyronie que a descreveu no século XVIII, é uma fibrose localizada no pênis que resulta em uma curvatura persistente, geralmente para cima, para os lados ou para baixo. Essa deformidade ocorre apenas durante a ereção, pois o tecido cicatricial não se expande como o resto do pênis. Além da curvatura, pacientes podem apresentar outras deformidades, como o encurtamento peniano e, em alguns casos, a disfunção erétil. A condição é adquirida, ou seja, não congênita, e surge após um trauma ou lesão repetitiva. Segundo literatura médica, como revisões em periódicos como o Journal of Urology, a placa fibrótica é composta principalmente de colágeno tipo I e III, resultando em um tecido rígido que impede a expansão uniforme do pênis.



Fatores de Risco


Vários fatores podem aumentar o risco de desenvolver a Doença de Peyronie. O principal é o trauma peniano, especialmente microtraumas repetitivos durante relações sexuais ou atividades físicas, que lesionam a túnica albugínea. Predisposição genética também desempenha um papel, com estudos indicando que homens com parentes afetados têm maior susceptibilidade. Doenças vasculares sistêmicas, como diabetes mellitus, hipertensão arterial e dislipidemia, estão associadas devido à má circulação sanguínea, que prejudica a cicatrização. Outros fatores incluem disfunção erétil prévia, idade avançada (acima de 40 anos), tabagismo, consumo excessivo de álcool, procedimentos urológicos invasivos e doenças autoimunes, como escleroderma. Pesquisas publicadas em revistas como Urology mostram que esses fatores contribuem para uma resposta inflamatória anormal, facilitando a formação da placa.



Fisiopatologia


A fisiopatologia da Doença de Peyronie envolve uma resposta anormal do corpo a uma lesão na túnica albugínea, a camada fibrosa que envolve os corpos cavernosos do pênis. Após um trauma, ocorre uma lesão vascular seguida de inflamação, ativação de fibroblastos e deposição excessiva de colágeno, formando a placa fibrótica. Há um desequilíbrio entre metaloproteinases da matriz (enzimas que degradam tecido) e seus inibidores, levando à fibrose. Estudos pré-clínicos, como aqueles publicados no International Journal of Impotence Research, sugerem que essa cascata molecular transforma uma lesão temporária em uma deformidade permanente, afetando a elasticidade do pênis e, consequentemente, a ereção.



Fases da Doença


A Doença de Peyronie evolui em duas fases principais: aguda e crônica. A fase aguda, também chamada inflamatória, dura geralmente de 6 a 18 meses e é caracterizada por dor peniana durante a ereção, instabilidade da curvatura (que pode piorar) e progressão da placa. É nessa fase que a inflamação e a formação da placa são mais ativas. Já a fase crônica ocorre quando a doença se estabiliza, com ausência de dor significativa e curvatura fixa. Nessa etapa, o foco é na deformidade persistente, que pode impedir relações sexuais. A transição entre fases varia por indivíduo, mas é crucial identificar a fase para escolher o tratamento adequado, conforme orientações da American Urological Association (AUA). O entendimento do paciente sobre as fases de evolução do Peyronie e do caráter temporário da dor peniana, ajuda na compreensão do tratamento e na diminuição da angústia causada pela doença.



Terapias Medicamentosas e Intra-lesionais


O tratamento não cirúrgico visa controlar sintomas e prevenir progressão, especialmente na fase aguda. Medicamentos orais como vitamina E, colchicina e potassium para-aminobenzoate (POTABA) têm evidências limitadas: a vitamina E não mostrou benefício convincente em ensaios clínicos para reduzir dor, curvatura ou tamanho da placa; a colchicina é controversa para dor aguda, sem superioridade sobre placebo; e o POTABA pode ajudar a estabilizar a curvatura em estágios iniciais, mas causa efeitos gastrointestinais e é pouco recomendado como primeira linha. Terapias intra-lesionais (injeções diretamente na placa) são mais promissoras: ácido hialurônico, verapamila, interferon e corticosteroides ajudam a reduzir inflamação e fibrose, com evidências de baixa qualidade, mas úteis para sintomas leves. O colagenase clostridium histolyticum (CCH), aprovado pela FDA para placas palpáveis e curvatura significativa, é eficaz na fase crônica para reduzir deformidade. Terapias mecânicas, como tração peniana e dispositivos de vácuo, também são empregadas para melhorar elasticidade. Sempre sob supervisão médica, pois a eficácia varia e efeitos colaterais podem ocorrer.



Tratamento Cirúrgico


A cirurgia é indicada exclusivamente na fase crônica, quando a doença está estável por pelo menos 3-6 meses (geralmente após 12 meses do início dos sintomas), e há deformidade que impede relações sexuais, curvatura significativa ou falha de tratamentos conservadores. Técnicas incluem plicatura tunical (encurtamento do lado oposto à curvatura para endireitar o pênis), incisão ou excisão da placa com enxerto (para curvaturas complexas) e implante de prótese peniana (para casos com disfunção erétil associada). A escolha depende da gravidade: plicatura para curvaturas menores, enxerto para maiores. Resultados esperados incluem correção da deformidade em 80-90% dos casos, mas riscos incluem perda de sensibilidade ou ereção insuficiente. Avaliação pré-operatória e aconselhamento são essenciais, e a cirurgia não é recomendada na fase aguda devido ao risco de piora.



ilustração de um personagem em formato de banana, feliz ao se ver no espelho

Considerações Finais


A Doença de Peyronie é uma condição tratável, mas requer acompanhamento médico especializado para diagnóstico preciso e plano terapêutico personalizado. Não ignore sintomas como curvatura ou dor – quanto antes procurar ajuda, melhores as chances de controle. Como urologista, enfatizo que cada caso é único, e o tratamento visa não apenas corrigir a deformidade, mas também restaurar a confiança e a qualidade de vida. Se você está enfrentando isso, agende uma consulta na Clivatti Urologia para avaliação completa. Juntos, podemos encontrar a melhor abordagem para o seu caso. Cuide da sua saúde com responsabilidade!


att, Dr. Guilherme Clivatti

Urologista- Tisbu

CRM/SC 18354

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