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Sabia que o pênis pode quebrar? Entenda sobre a fratura peniana.

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 14 de jul.
  • 4 min de leitura

O que é a fratura peniana?


Parece até brincadeira, mas a fratura peniana existe e é uma emergência urológica real. Apesar do nome impressionante, o pênis não tem nenhum osso — a "fratura" ocorre em uma estrutura chamada túnica albugínea, uma espécie de cápsula fibrosa e resistente que envolve os corpos cavernosos do pênis.

Quando essa estrutura se rompe, estamos diante de uma fratura peniana, e o atendimento médico rápido é essencial para evitar complicações permanentes.



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Anatomia do pênis: como algo sem osso pode quebrar?


Para entender a fratura, primeiro precisamos conhecer um pouco da anatomia peniana.

O pênis é formado por três cilindros internos:

  • Dois corpos cavernosos (laterais), responsáveis pela ereção

  • Um corpo esponjoso (central), por onde passa a uretra

Durante a ereção, os corpos cavernosos se enchem de sangue, e a túnica albugínea — a camada fibrosa que os reveste — fica esticada e fina, como uma bexiga cheia. Nesse estado, ela perde elasticidade e se torna muito mais vulnerável a traumas.

A fratura ocorre quando o pênis ereto sofre uma força abrupta de dobra ou torção, fazendo a pressão interna aumentar tanto que a túnica albugínea se rompe. É como tentar dobrar um cano rígido — uma hora ele estoura.



Principais sintomas da fratura peniana


Os sintomas são bastante característicos e, na maioria dos casos, o diagnóstico pode ser suspeitado só pela história e pelo exame físico. Os sinais clássicos incluem:

  1. Estalo ou "pop" audível — o paciente frequentemente ouve um som de ruptura no momento do trauma

  2. Dor intensa e imediata — geralmente acompanhada de perda abrupta da ereção

  3. Deformidade visível — o pênis pode ficar com aspecto de "berinjela" ou "chuchu", com hematoma e inchaço importantes

  4. Hematoma difuso — o sangramento interno se espalha pelo tecido subcutâneo, causando uma coloração arroxeada

  5. Dificuldade ou sangramento ao urinar — se a uretra também foi lesionada (ocorre em 10-20% dos casos)


Importante: A presença de hematoma isolado sem outros sintomas pode simular uma fratura, mas nem sempre significa que houve ruptura da túnica albugínea. Por isso, a avaliação médica é indispensável.



Como é feito o diagnóstico


O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada e o exame clínico. Na maioria das vezes, o relato do paciente já é suficiente para levantar a suspeita — o estalo + dor + deformidade formam uma tríade bastante específica.


Exame clínico


O urologista avalia visualmente e à palpação o hematoma, a deformidade e a presença de pontos de dor localizada. Em casos clássicos, o exame físico é tão característico que exames de imagem são dispensáveis.



Ultrassonografia com Doppler (USG)


A USG com Doppler é o exame de imagem mais utilizado e recomendado. Ela permite:

  • Visualizar a solução de continuidade (a "quebra") na túnica albugínea

  • Avaliar a extensão do hematoma

  • Verificar a integridade do fluxo sanguíneo nos corpos cavernosos

  • Identificar lesões associadas na uretra

Em casos selecionados, a ressonância magnética pode ser útil, mas raramente é necessária na prática, especialmente quando o quadro clínico e a USG são conclusivos.


📖 Referência: As diretrizes da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e da European Association of Urology (EAU) recomendam a USG com Doppler como exame de primeira linha na suspeita de fratura peniana.


Como é feito o tratamento


O tratamento é cirúrgico e deve ser realizado o quanto antes, idealmente nas primeiras 12-24 horas após o trauma. A cirurgia é chamada de plastia da túnica albugínea e consiste em:

  1. Exploração do local — o cirurgião faz uma incisão na pele do pênis para acessar a área lesada

  2. Identificação da ruptura — localiza o ponto exato de rompimento na túnica albugínea

  3. Sutura da túnica — os bordos rompidos são aproximados e suturados com fios absorvíveis

  4. Drenagem do hematoma — o sangue acumulado é evacuado para prevenir fibrose e deformidades

  5. Revisão da uretra — quando há suspeita de lesão uretral, uma avaliação adicional é feita


Tratamento conservador (sem cirurgia)


Embora tenha sido utilizado no passado, o tratamento não cirúrgico é hoje reservado apenas para casos muito selecionados — fraturas pequenas e sem hematoma significativo — e apresenta maior risco de complicações como:

  • Formação de placas fibróticas (endurecimento local)

  • Deformidade na ereção (curvatura peniana)

  • Disfunção erétil

  • Fístulas e abscessos

A mensagem central é: o tratamento conservador é exceção, não regra. A cirurgia precoce oferece os melhores resultados.


Prognóstico quando o tratamento correto é realizado


A boa notícia é que, quando tratada adequadamente e com rapidez, a fratura peniana tem excelente prognóstico.

Estudos mostram que a cirurgia precoce está associada a:

  • Mais de 90% de retorno à função erétil normal

  • Baixíssima taxa de complicações graves

  • Menor risco de deformidade residual

Entre as complicações possíveis, mesmo com tratamento adequado, estão:

  • Curvatura peniana leve (geralmente < 30 graus)

  • Placas ou nódulos no local da sutura (geralmente assintomáticos)

  • Disfunção erétil (rara quando a cirurgia é precoce)

Quando o paciente demora a procurar atendimento ou não é submetido ao tratamento cirúrgico, o risco de complicações sobe significativamente, podendo levar à disfunção erétil permanente e deformidades graves.

Dados da literatura urológica (EAU Guidelines, AUA Guidelines) indicam satisfação sexual acima de 85% nos pacientes operados nas primeiras 24 horas.

Conclusão


A fratura peniana é uma emergência urológica que, apesar do nome assustador, tem excelente prognóstico quando tratada corretamente e com rapidez.

Os pontos essenciais para levar desta leitura:

  • ✅ Não há osso no pênis — a "fratura" é a ruptura de uma cápsula fibrosa que reveste os corpos cavernosos

  • ✅ O trauma ocorre quase sempre durante relação sexual (com o pênis ereto)

  • ✅ O diagnóstico é clínico, podendo ser complementado por ultrassom com Doppler

  • ✅ O tratamento é cirúrgico e deve ser feito nas primeiras horas

  • ✅ Quando operado precocemente, a recuperação da função sexual é a regra, não a exceção


Se você ou alguém próximo passar por uma situação parecida, não se constranja — procure imediatamente um serviço de urgência urológica. O tempo é o maior aliado para um resultado perfeito.



Aviso importante: Este texto tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta com um médico urologista. Em caso de sintomas, procure atendimento médico presencial.


Referências consultadas:


  • Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) — Diretrizes de Trauma Urológico

  • European Association of Urology (EAU) — Guidelines on Urological Trauma, 2024

  • American Urological Association (AUA) — Penile Fracture: Diagnosis and Management


Dr. Guilherme Clivatti

Urologista

CRM/SC 18354

RQE 17606

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