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Disfunção Erétil: causas, tratamentos modernos e quando consultar um urologista

  • Foto do escritor: Guilherme Clivatti
    Guilherme Clivatti
  • 21 de jul.
  • 8 min de leitura

Se você chegou até aqui pesquisando sobre disfunção erétil, saiba que não está sozinho — e que buscar informação é exatamente o primeiro passo certo. A disfunção erétil (DE), popularmente conhecida como impotência sexual, é uma das condições urológicas mais comuns entre os homens, mas também uma das menos discutidas abertamente.

Muitos homens enfrentam esse problema em silêncio por anos antes de procurar ajuda médica. Há vergonha, há tabu — e há a falsa crença de que "não tem solução" ou que "é coisa da cabeça". Nenhuma das duas afirmações é verdade. A disfunção erétil tem causas claras, avaliação precisa e tratamentos comprovadamente eficazes. Neste artigo, o objetivo é explicar tudo o que você precisa saber: de forma clara, baseada em evidências científicas e sem rodeios.



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O que é Disfunção Erétil?


A disfunção erétil é definida como a dificuldade persistente — e não apenas ocasional — de obter ou manter uma ereção firme o suficiente para uma relação sexual satisfatória. É importante fazer essa distinção: falhar uma ou duas vezes, especialmente em momentos de estresse intenso, cansaço excessivo ou nervosismo, não configura disfunção erétil.

O problema é considerado clinicamente relevante quando essa dificuldade se repete de forma consistente ao longo do tempo — geralmente por pelo menos três meses —, afetando a qualidade de vida, a autoestima e os relacionamentos do paciente.



Quão Comum é a Disfunção Erétil no Brasil?


Muito mais comum do que se imagina. Dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) indicam que a condição afeta, em média, 50% dos homens acima dos 40 anos — o que representa cerca de 16 milhões de brasileiros. Um levantamento clínico de 2025, realizado com dados de 1.902 pacientes, revelou que a disfunção erétil vem atingindo homens cada vez mais jovens, com idade média de 48 anos no momento do diagnóstico.

Historicamente, a condição era associada a homens a partir dos 60 anos. Hoje, mudanças no estilo de vida — sedentarismo, alimentação industrializada, obesidade, estresse crônico, tabagismo e uso abusivo de álcool — fazem com que homens entre 30 e 50 anos representem uma parcela crescente dos atendimentos urológicos por essa queixa.



Causas da Disfunção Erétil


A ereção é um processo fisiológico complexo que depende de uma cadeia integrada entre sistema nervoso, circulação sanguínea, hormônios e fatores psicológicos. Qualquer interferência em um ou mais desses sistemas pode resultar em disfunção erétil.

 

Causas vasculares — Causa orgânica mais frequente


A maioria dos casos de disfunção erétil tem origem vascular. Para que ocorra uma ereção, é necessário que o sangue flua com volume e pressão adequados para os corpos cavernosos do pênis. Quando as artérias que suprem essa região estão comprometidas — por aterosclerose, hipertensão arterial sistêmica ou diabetes mellitus —, o fluxo sanguíneo é insuficiente e a ereção não se sustenta.



Causas hormonais


A testosterona é o principal hormônio regulador da libido e da função sexual masculina. Quando seus níveis caem — condição chamada de hipogonadismo ou Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) —, a disfunção erétil pode surgir acompanhada de fadiga, queda de humor, perda de massa muscular e redução do desejo sexual. O diabetes mellitus também afeta a produção hormonal e causa danos vasculares e neurológicos que contribuem para a DE.



Causas neurológicas


A transmissão de sinais nervosos do cérebro para os órgãos genitais é fundamental para o início e a manutenção da ereção. Condições como esclerose múltipla, lesões medulares, sequelas de acidente vascular cerebral (AVC) e neuropatia diabética periférica podem comprometer esse sistema de sinalização.



Causas psicológicas


Ansiedade de desempenho, depressão, conflitos relacionais e estresse crônico são causas frequentes — especialmente em homens mais jovens, onde a DE muitas vezes não tem base orgânica identificável. Em muitos casos, a causa psicológica e a orgânica coexistem: uma falha eventual gera ansiedade, que por sua vez perpetua e agrava o quadro.



Medicamentos com disfunção erétil como efeito colateral


Alguns medicamentos de uso comum podem interferir na função erétil. Entre os principais:

●       Anti-hipertensivos: especialmente betabloqueadores e diuréticos tiazídicos

●       Antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

●       Antipsicóticos e ansiolíticos benzodiazepínicos

●       Finasterida (usado para calvície e hiperplasia prostática benigna)

●       Opioides em uso crônico

 

Atenção: nunca interrompa medicamentos por conta própria. Informe ao seu urologista todos os medicamentos em uso para que seja avaliada a necessidade de ajuste ou substituição.



Como é Feito o Diagnóstico?


O diagnóstico da disfunção erétil é essencialmente clínico, baseado na história do paciente e em exames complementares direcionados. Ao contrário do que muitos temem, a consulta urológica para essa queixa é discreta, técnica e sem procedimentos invasivos na avaliação inicial.

Na consulta, iremos:

1.      Realizar anamnese detalhada — investigando há quanto tempo o problema ocorre, com que frequência, se há ausência completa de ereção ou apenas dificuldade de mantê-la, se ocorrem ereções espontâneas noturnas (o que ajuda a distinguir causas orgânicas de psicológicas) e quais são as comorbidades.

2.      Solicitar exames laboratoriais — testosterona total e livre, glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c), perfil lipídico, função renal e hepática, além de LH, FSH e prolactina quando clinicamente indicado.

3.      Avaliar pressão arterial e realizar exame físico geral e genital.

4.     Indicar, em casos selecionados, o eco-Doppler peniano com vasodilatador — que avalia diretamente o fluxo sanguíneo arterial e venoso do pênis, sendo o exame mais preciso para investigar causa vascular.



Quais São os Tratamentos Disponíveis?


A grande maioria dos casos de disfunção erétil tem tratamento eficaz. A escolha terapêutica depende da causa identificada, da gravidade, das comorbidades do paciente e de suas preferências. A abordagem costuma ser progressiva: iniciando pelas medidas menos invasivas e avançando conforme a resposta.

 

1. Mudanças no estilo de vida — a base do tratamento


Para casos leves a moderados, e como complemento indispensável em qualquer situação, ajustes no estilo de vida produzem resultados significativos e duradouros: perda de peso, prática regular de exercício físico (especialmente aeróbico e de força), cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool, controle do estresse e melhora da qualidade do sono. Estudos mostram que homens com obesidade que perdem mais de 10% do peso corporal apresentam melhora significativa e objetiva na função erétil.



2. Inibidores da PDE5 — os medicamentos de primeira linha


Os inibidores da fosfodiesterase-5 (PDE5) são o tratamento farmacológico padrão para a disfunção erétil. Os principais disponíveis no Brasil são o sildenafil (Viagra®), tadalafila (Cialis®), vardenafil e avanafil. Eles funcionam facilitando o relaxamento da musculatura lisa dos corpos cavernosos e aumentando o fluxo sanguíneo peniano em resposta ao estímulo sexual — não causam ereção de forma independente do estímulo.

A principal diferença clínica entre eles está na duração de ação: o sildenafil age por 4 a 6 horas, enquanto o tadalafila pode ser eficaz por até 36 horas, conferindo maior espontaneidade. O tadalafila em baixa dose diária é também uma opção para uso contínuo.


⚠  Atenção: os inibidores da PDE5 são contraindicados com nitratos

A combinação de inibidores da PDE5 com medicamentos à base de nitratos (usados para angina e insuficiência cardíaca) pode causar quedas graves e potencialmente fatais de pressão arterial. A automedicação é perigosa. Use apenas com prescrição e orientação médica.


3. Reposição hormonal — quando a testosterona está baixa


Quando o exame identifica hipogonadismo como causa ou fator contribuinte, a reposição de testosterona — por injeções intramusculares, gel transdérmico ou implantes subcutâneos — pode restaurar a função erétil, além de melhorar libido, disposição, composição corporal e humor. O acompanhamento regular com exames laboratoriais é essencial durante o tratamento para garantir segurança e eficácia.



4. Psicoterapia e terapia sexual


Nos casos em que o componente psicológico é predominante — especialmente em homens jovens com ansiedade de desempenho —, a psicoterapia cognitivo-comportamental ou a terapia sexual pode ser o tratamento principal ou um complemento importante aos demais. A abordagem em casal frequentemente produz melhores resultados quando há impacto relacional.



5. Opções para casos refratários


Quando os tratamentos orais não são eficazes ou estão contraindicados, o urologista pode indicar alternativas mais avançadas:

●   Injeção intracavernosa de vasodilatadores — aplicada diretamente no corpo cavernoso com alta eficácia mesmo em casos graves.

●       Dispositivos de ereção a vácuo — opção mecânica não invasiva, indicada em perfis específicos de pacientes.

●    Prótese peniana — implante cirúrgico indicado para casos refratários a todas as outras opções, com altas taxas de satisfação do paciente quando bem indicado e realizado por cirurgião experiente.



Disfunção Erétil em Homens Jovens


Embora menos comum, a disfunção erétil em homens abaixo dos 40 anos é mais frequente do que se imagina — e a tendência é de crescimento. Nesses casos, as causas psicológicas costumam ter maior peso: ansiedade de desempenho amplificada pelo uso excessivo de pornografia, medo de julgamento e pressão sobre o próprio desempenho sexual são padrões cada vez mais comuns.

No entanto, causas orgânicas não devem ser descartadas. Diabetes tipo 2 em jovens, hipertensão precoce, obesidade e sedentarismo são cada vez mais prevalentes e impactam diretamente a saúde vascular — e, consequentemente, a função erétil.

Jovens com DE frequentemente postergam a busca por ajuda por vergonha ou por acreditar que o problema vai se resolver sozinho. Isso piora o quadro progressivamente. A abordagem precoce produz resultados muito melhores e, frequentemente, permite reversão completa.


Quando Procurar um Urologista?


Você deve agendar uma consulta com um urologista se:

●       A dificuldade de obter ou manter a ereção acontece em mais de 50% das tentativas, por período superior a três meses.

●       A disfunção erétil está afetando sua qualidade de vida, autoestima ou relacionamento.

●       Você tem fatores de risco como diabetes, hipertensão arterial, obesidade ou tabagismo.

●       Você tem menos de 40 anos e percebe dificuldades frequentes e persistentes.

●       A DE surgiu após o início de algum medicamento novo.

●       Você sente redução do desejo sexual junto com a dificuldade de ereção (possível componente hormonal).

●       Tentou medicamentos sem prescrição médica sem resultado satisfatório.

 

Não espere que o problema se resolva espontaneamente. Quanto mais precoce a avaliação, mais simples e eficaz costuma ser o tratamento — e menor o impacto sobre a saúde cardiovascular e o bem-estar geral.




Perguntas Frequentes (FAQ)


A disfunção erétil tem cura?

Sim, em muitos casos. Quando a causa é tratável — como obesidade, testosterona baixa, uso de medicamento causador ou componente psicológico isolado —, a reversão completa é possível. Em casos de causa vascular estabelecida, os tratamentos modernos controlam muito bem o problema, permitindo uma vida sexual plena e satisfatória.

Sildenafil (Viagra) ou tadalafil (Cialis): qual é melhor?

Não existe um "melhor" universal. A escolha depende da frequência de uso pretendida, do perfil de efeitos colaterais de cada paciente e de possíveis interações medicamentosas. O sildenafil age por 4–6h e é tomado sob demanda; o tadalafil tem duração de até 36h, com opção de dose diária. O urologista avaliará o caso e indicará o mais adequado para o seu perfil.

A masturbação causa disfunção erétil?

Não. A masturbação é uma prática saudável e não causa disfunção erétil — não há evidência científica que suporte essa associação. O que pode ocorrer em alguns homens é a chamada "disfunção erétil associada à pornografia", relacionada à hiperestimulação que reduz a resposta ao estímulo real. Esse quadro é tratável com acompanhamento adequado.

Posso tomar remédio para DE sem consultar um médico?

Não é recomendado. Os inibidores da PDE5 têm contraindicações importantes (especialmente com nitratos) e interações medicamentosas que podem ser graves ou fatais. Além disso, tratar apenas o sintoma sem investigar a causa pode atrasar o diagnóstico de doenças cardiovasculares, hormonais ou metabólicas subjacentes.

A disfunção erétil está relacionada ao tamanho do pênis?

Não. A disfunção erétil diz respeito à capacidade de obter e manter a ereção, e não tem relação com o tamanho anatômico. São condições completamente independentes.


Conclusão


A disfunção erétil é um problema real, prevalente e com tratamento eficaz para a grande maioria dos casos. Não é fraqueza, não é destino inevitável e não precisa ser vivida em silêncio.

Buscar avaliação com um urologista especialista é o caminho mais seguro — e muitas vezes o mais rápido — para recuperar a qualidade de vida, proteger a saúde cardiovascular e retomar uma vida sexual plena. Estamos a disposição para ajudar você a resolver esse problema.


att, Dr. Guilherme Clivatti

Urologista

CRM-SC 18354 RQE 17606


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Referências Científicas


1. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Disfunção Erétil: diagnóstico e tratamento. Portal da Urologia. Disponível em: portaldaurologia.org.br.

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7. Corona G, et al. Testosterone Supplementation and Sexual Function: A Meta-Analysis Study. J Sex Med. 2016;13(9):1375–1380.

8. Egydio PH et al. Relatório clínico — Perfil de 1.902 pacientes com disfunção erétil atendidos no Brasil. 2025.

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