Cheguei nos meus 50 anos: Que Vacinas Devo Fazer?
- Guilherme Clivatti
- há 4 horas
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Guia completo de imunização para a maturidade com base nas diretrizes SBIm/SBU 2025-2026

A Nova Fase da Prevenção
Completar 50 anos é um marco significativo na vida de qualquer pessoa. É um momento de colher frutos, mas também de recalibrar os cuidados com o corpo para garantir que as próximas décadas sejam vividas com o máximo de vigor e autonomia. Frequentemente, recebo em meu consultório pacientes que estão em dia com seus exames de próstata e check-ups cardiológicos, mas que se surpreendem quando pergunto: "Como está a sua carteira de vacinação?".
Muitos ainda acreditam que vacina é "coisa de criança", mas a ciência evoluiu e hoje sabemos que o sistema imunológico passa por um processo chamado imunossenescência — um declínio natural das defesas do organismo com o passar da idade. Para orientar essa nova fase, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) lançaram o Guia de Imunização SBIm/SBU – Urologia 2025-2026. Este documento é a nossa bússola para proteger você contra doenças que podem ser evitadas com uma simples picada, mas que, se contraídas, podem comprometer seriamente sua qualidade de vida.
Neste artigo, vamos detalhar as vacinas essenciais para quem cruzou a fronteira dos 50 anos, explicando por que cada uma delas é um investimento fundamental na sua longevidade.
As Vacinas Essenciais a partir dos 50 Anos
Vacina Herpes-Zóster (Recombinante)
Esta é, sem dúvida, a maior novidade e a proteção mais importante para quem chega aos 50 anos. O Herpes-Zóster, popularmente conhecido como "cobreiro", é causado pela reativação do vírus da varicela (catapora), que fica adormecido em nossos nervos por décadas. Com a queda da imunidade após os 50, o vírus pode "acordar", causando erupções cutâneas dolorosas e, o que é pior, a neuralgia pós-herpética — uma dor crônica e incapacitante que pode durar meses ou anos.
A vacina recomendada agora é a recombinante (inativada) (Shingrix), que substituiu a antiga vacina atenuada por ser muito mais eficaz (superior a 90%) e segura, inclusive para imunossuprimidos. O esquema consiste em 2 doses, com um intervalo de 2 a 6 meses entre elas, aplicadas por via intramuscular.
Vacina Influenza (Gripe)
A gripe não é um "resfriado forte". Em adultos mais velhos, ela pode evoluir para pneumonias graves e descompensar doenças preexistentes, como diabetes e problemas cardíacos. Como o vírus Influenza sofre mutações constantes, a vacina é anual e sua composição é atualizada todos os anos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A dose única anual é fundamental. Ela está disponível no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para grupos prioritários e na rede privada, onde muitas vezes encontramos a versão quadrivalente, que oferece proteção contra quatro cepas do vírus.
Vacinas Pneumocócicas
O pneumococo é uma bactéria perigosa, responsável por casos graves de pneumonia, meningite e sepse (infecção generalizada). Para adultos acima de 50 anos, especialmente aqueles com condições crônicas, o esquema vacinal é robusto. Geralmente, inicia-se com uma dose da vacina conjugada (VPC13, VPC15 ou a mais recente VPC20), seguida de uma dose da vacina polissacarídica (VPP23) após um intervalo que varia conforme a orientação médica (geralmente 6 a 12 meses).
Essas vacinas são encontradas principalmente na rede privada e são cruciais para proteger a saúde pulmonar, que se torna mais vulnerável com o envelhecimento.
Vacina dTpa (Tríplice Bacteriana Acelular do Adulto)
Esta vacina protege contra três doenças: Difteria, Tétano e Coqueluche. Muitos adultos acreditam estar protegidos pelo resto da vida após as doses da infância, mas o reforço é necessário a cada 10 anos. Um ponto vital: a coqueluche em adultos pode parecer apenas uma tosse persistente, mas o adulto infectado é o principal transmissor para recém-nascidos, para quem a doença é potencialmente fatal. Vacinar-se aos 50 é também um ato de cuidado com os netos que virão.
Vacina Hepatite B
A Hepatite B é uma doença silenciosa que pode levar à cirrose e ao câncer de fígado (hepatocarcinoma). Se você não foi vacinado anteriormente ou não possui comprovação de imunidade nos exames de sangue, o esquema de 3 doses (0, 1 e 6 meses) é altamente recomendado. Na urologia, estamos sempre atentos à saúde integral do homem, e a prevenção de doenças hepáticas é parte desse cuidado.
Vacina Febre Amarela
O Brasil possui extensas áreas de recomendação para esta vacina. Se você reside ou pretende viajar para regiões endêmicas, a dose única é necessária. No entanto, para quem tem mais de 60 anos, a primeira dose deve ser avaliada criteriosamente pelo médico devido ao risco de efeitos colaterais. Por isso, os 50 anos são o momento ideal para verificar sua situação vacinal e garantir essa proteção.
Vacina Covid-19
A pandemia nos ensinou a importância da imunização em massa. Para adultos na faixa dos 50 anos, manter os reforços periódicos conforme as notas técnicas do Ministério da Saúde é essencial. A vacina não impede totalmente a infecção, mas é extremamente eficaz em prevenir formas graves, hospitalizações e óbitos, especialmente com o surgimento de novas variantes.
Vacina HPV (Papilomavírus Humano)
Embora o foco principal da vacinação contra o HPV sejam os adolescentes, o Guia SBIm/SBU destaca que adultos até 45 anos (e em casos específicos de risco, até idades superiores) podem se beneficiar. Como urologista, reforço que o HPV está diretamente ligado ao câncer de pênis, ânus e orofaringe, além das verrugas genitais. Se você possui fatores de risco, como imunossupressão ou condições que afetam o sistema imune, converse sobre a possibilidade de vacinação mesmo após os 50.
Vacina Dengue
Com as recentes epidemias de dengue no Brasil, a vacinação tornou-se um tema urgente. A vacina Qdenga é indicada para pessoas de 4 a 60 anos. O esquema é de 2 doses com intervalo de 3 meses. Ela é especialmente recomendada para quem já teve dengue anteriormente (comprovada por exame), pois uma segunda infecção por um sorotipo diferente aumenta consideravelmente o risco de dengue grave.
Vacina Meningocócica ACWY e B
Embora a meningite seja mais comum em crianças e jovens, adultos com condições médicas específicas (como ausência de baço, problemas de complemento ou transplantados) ou que estejam em situações de surto devem ser vacinados. A proteção contra os sorogrupos A, C, W, Y e B garante que uma infecção bacteriana severa não interrompa seus planos de vida.
O Urologista como Parceiro da Longevidade
Muitas vezes, o urologista é o único médico que o homem visita regularmente. Por isso, assumimos o papel de "médico de referência", cuidando não apenas do trato urinário e da próstata, mas da saúde como um todo. A vacinação é, sem dúvida, uma das estratégias mais custo-efetivas e seguras para um envelhecimento saudável.
Não encare as vacinas como uma obrigação, mas como um escudo. Ao se imunizar, você protege a si mesmo, sua família e a comunidade. Na sua próxima consulta aqui na Clivatti Urologia, traga sua carteira de vacinação. Vamos analisar juntos o que precisa ser atualizado para que você continue aproveitando o melhor da vida, com a segurança que a ciência moderna nos proporciona.
Vacinas Obrigatórias / Essenciais para 50+ anos
Vacina | Protege contra | Esquema | Observação |
Herpes-Zóster (Recombinante) | Cobreiro (herpes-zóster) e neuralgia pós-herpética | 2 doses (intervalo 2–6 meses) | Principal novidade e a mais importante para 50+ |
Influenza (Gripe) | Vírus Influenza (cepas atualizadas anualmente) | 1 dose anual | Disponível no PNI para grupos prioritários e na rede privada |
Pneumocócicas | Pneumonia, meningite e sepse pneumocócica | Conjugada (VPC13/15/20) + Polissacarídica (VPP23) após 6–12 meses | Esquema sequencial; encontradas na rede privada |
dTpa (Tríplice bacteriana acelular do adulto) | Difteria, tétano e coqueluche | Reforço a cada 10 anos | Protege também recém-nascidos (evita transmissão de coqueluche) |
Hepatite B | Hepatite B (cirrose e câncer hepático) | 3 doses (0, 1 e 6 meses) | Para quem não foi vacinado ou não tem comprovação sorológica |
Febre Amarela | Febre amarela | Dose única | Para residentes ou viajantes de áreas endêmicas |
Covid-19 | Formas graves de Covid-19 | Reforços periódicos (conforme calendário oficial) | Fundamental para prevenção de hospitalizações e óbitos |
Vacinas Possíveis / Situacionais para 50+ anos
Vacina | Protege contra | Quando considerar | Observações |
HPV | Câncer de pênis, ânus, orofaringe e verrugas genitais | Homens até 45 anos com fatores de risco (imunossupressão, HIV, transplantados) | Relevância urológica direta; avaliar caso a caso |
Dengue (Qdenga) | Dengue (incluindo formas graves) | Pessoas de 4 a 60 anos que já tiveram dengue comprovada sorologicamente | Esquema de 2 doses com intervalo de 3 meses |
Meningocócica ACWY / B | Meningite meningocócica e sepse | Adultos com fatores de risco: asplenia, deficiência de complemento, transplantados, contato próximo de casos | Avaliação individualizada pelo médico |
Referência
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm); Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Guia de Imunização SBIm/SBU – Urologia: da prática geral aos cenários urológicos específicos 2025-2026. Versão 21.10.2025. Disponível em: https://sbim.org.br/calendario-de-vacinacao
Att, Dr. Guilherme Moreira Clivatti
Urologista - Tisbu
CRM-SC 18354




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